Experiências

Como Minha Primeira Viagem Mudou Minha Forma de Pensar

first trip changed my mind

Nasci e cresci num país de Terceiro Mundo, cujo governo é famoso pela corrupção e nada realmente funciona do jeito que deveria. Para uma criança crescendo, assistindo filmes de Hollywood, onde todo mundo tem a vida perfeita, vivendo em um país perfeito, é realmente frustrante quando você olha ao redor e tudo que você vê são coisas de país do Terceiro Mundo.

A década de 90 foi marcada pela abertura do mercado internacional no Brasil, o início da globalização. Por isso, é compreensível que, durante esta e na próxima década, ainda não tivéssemos acesso aos mesmos produtos e, consequentemente, não tivéssemos a mesma qualidade, como os outros países. Os poucos produtos que tínhamos, eram caros, e boa parte da população não podia ter acesso a ele. Começamos a adotar uma cultura de “qualquer bem importado é melhor do que o nacional”.

Filmes também trouxeram com eles o acesso a outras culturas, a ideia de nacionalismo para com outros países. E começamos a nos perguntar “por que fazemos isso, se os americanos fazem isso de forma diferente”, “por que os europeus têm isso, mas nós não?”. A ideia de que meu Natal nunca viria com neve, como os filmes que assisti, era bem decepcionante.

 

Antes da minha viagem

 

Com o tempo, tudo isso faz você começar a questionar suas origens, sua cultura. Você começa a negá-las, você cresce assistindo as pessoas de países mais “avançados” fazendo algo, por que você iria querer fazer o oposto, como as pessoas do Terceiro Mundo estão fazendo? Tudo isso te desaponta, você tem esse sentimento de que tudo relacionado ao seu país é uma porcaria e qualquer coisa de outro país é melhor.

Você começa a sonhar com uma vida melhor em um país estrangeiro, não porque sua vida não é boa onde você está, mas porque você tem certeza de que seria muito melhor em outro lugar. Seu amor por outro país cresce assim como o desgosto pelo seu próprio país.

Eu experienciei todos esses sentimentos, assim como muitos de meus amigos. Até que esses sentimentos, junto com a minha necessidade de desenvolver uma consciência social, e o contato com outras culturas, me fizeram decidir viajar. Eu queria ver com meus próprios olhos como esses países desenvolvidos eram bons, o quão melhores do que nós, o quão perfeitos.

 

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Durante minha viagem

 

Então eu planejei minha primeira viagem onde eu finalmente teria a chance de testemunhar a vida no exterior, em um país mais avançado do que o meu. No início, eu visitei um total de 5 países e cidades diferentes. De fato, sua realidades eram tão diferentes da brasileira, seus problemas eram diferentes e realmente me senti como se estivesse em um daqueles filmes que eu costumava assistir.

Mas o tempo passou e também a animação de estar no exterior. Esse é o momento em que você pode finalmente começar a ser racional e analisar as coisas. Esse é o momento em que você percebe que Londres não se resume no Big Ben e Paris não é apenas a Torre Eiffel. Você para de ser um turista e se torna um viajante.

Enquanto você é um turista, tudo parece perfeito, glamouroso, exatamente como você imaginou. Mas é quando você se torna um viajante que você abre os olhos para a realidade, você ouve diretamente dos moradores, você enfrenta o dia a dia. É quando você percebe que todo bom lugar também tem seu lado ruim.

Se há algo que eu aprendi, é que na vida nunca há um 100% bom ou 100% ruim, em relação às pessoas, em relação à lugares, qualquer coisa. Há sempre ambos os lados. Afinal, algo que é bom para você pode ser ruim para mim e vice-versa, tudo é realmente relativo.

 

Depois da minha viagem

 

Em geral, os países que eu visitei na Europa eram grandes, muito melhores do que o Brasil em muitos pontos, como organização, segurança, transporte público, educação. Mas estando lá percebi que na verdade sentia falta do meu país, por MUITOS motivos, percebi que, do meu ponto de vista, nada era melhor do que a comida brasileira, nada era melhor do que o povo brasileiro, a “espontaneidade”.

Passei uma vida tentando encontrar a cultura de outra pessoa em que eu me encaixasse melhor, que eu pudesse adotar como minha e negar a do meu país, só para perceber que, afinal de contas, eu sou brasileira e é isso que eu realmente quero ser, essa é a cultura que eu adotei.

O Brasil tem lados ruins? Sem dúvida que tem, poderia ser muito melhor, mas não faz este país menos do que qualquer outro. Depois de deixar o Brasil e ver a situação de fora eu pude perceber que meu país é grande em seus próprios padrões.

Às vezes só precisamos mudar nossa perspectiva das coisas para realmente vê-las como elas são.

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